Uma célula solar transparente capta a luz ultravioleta para gerar a energia que faz a janela funcionar. [Imagem: David Kelly Crow]
Janela de colar
Um novo tipo de janela inteligente promete ser barata e fácil de instalar, com potencial para economizar tanto no aquecimento como no resfriamento das casas e edifícios.
O material gera sua própria energia graças a uma célula solar transparente que consegue captar também a luz ultravioleta. Com isto, o sistema - na verdade um painel muito fino e flexível - pode ser sobreposto às janelas existentes, evitando os custos com obras e passagem da fiação elétrica necessária para alimentar as janelas inteligentes atuais.
O painel transparente ajusta sua própria tonalidade, tornando-se mais ou menos opaco conforme a iluminação e a temperatura externas, economizando até 40% nos custos de energia de aquecimento ou ar-condicionado.
Célula solar ultravioleta
"A luz solar é uma mistura de radiação eletromagnética composta de raios de ultravioleta próxima, luz visível e energia infravermelha, ou calor. Queríamos que a janela inteligente controlasse dinamicamente a quantidade de luz natural e calor que pode entrar, economizando energia e tornando o espaço mais confortável," disse o professor Yueh-Lin Loo, da Universidade de Princeton, nos EUA.
Como a luz UV-próxima é invisível para o olho humano, os pesquisadores queriam aproveitá-la para gerar a energia elétrica necessária para ativar a tecnologia de mudança de cor do painel que compõe a janela.
A janela inteligente controla a transmissão da luz visível e do calor infravermelho para o interior, enquanto o novo tipo de célula solar usa a luz UV para alimentar o sistema.
A transparência da janela é reduzida em até 80% (direita) usando apenas a eletricidade gerada pelas células solares transparentes em sua superfície. [Imagem: Princeton University]
Eletrocrômico
A nova célula solar foi construída com semicondutores orgânicos - derivados do hexabenzocoroneno (cHBC) - porque sua estrutura química pode ser modificada para absorver uma faixa estreita de comprimentos de onda - neste caso, a luz UV-próxima.
As moléculas semicondutoras são depositadas como filmes finos sobre um substrato de vidro usando os mesmos métodos de produção utilizados pelos fabricantes dos LEDs orgânicos.
A janela inteligente propriamente dita, por sua vez, é feita compolímeros eletrocrômicos, que mudam de tonalidade controlados por uma corrente elétrica - e a eletricidade gerada pelas novas células solares é suficiente para isso. Quando a luz UV gera uma carga elétrica na célula solar, a carga desencadeia uma reação no polímero eletrocrômico, fazendo com que ele mude de azul claro para azul escuro. Quando escurecida, a janela pode bloquear mais de 80% da luz visível.
Mas será que chegou a vez do Brasil produzir um carro não apenas brasileiro, mas também elétrico?
Esta é a proposta de uma empresa que parece ter escolhido caprichosamente seu nome: VEZ do Brasil.
A empresa emergente está procurando investidores para colocar em prática o projeto de um carro 100% elétrico.
Elétricos e híbridos
Hoje, apenas China, Japão, Índia e Itália produzem um automóvel 100% elétrico a custos razoáveis.
A proposta de um carro 100% elétrico se diferencia de um automóvel híbrido, que combina um motor de combustão interna com um gerador, um conjunto de baterias e um ou mais motores elétricos.
Já os carros puramente elétricos não possuem um motor a combustão e são integralmente movidos à energia elétrica, geralmente fornecida por baterias ou por células a combustível.
A plataforma Seed será usada para fabricar diversos modelos de veículos superleves. [Imagem: Vez do Brasil]
Semente de carro elétrico
A ideia da VEZ do Brasil é fabricar uma plataforma, chamada SEED, de propulsão totalmente elétrica, para a construção de diversos modelos de veículos de pequeno porte.
No momento, a empresa está negociando a última fatia de 25% de participação societária, para início da fabricação e comercialização dos carros modelos SEED-City Car e SEED-Utilitários.
Segundo a empresa, a proposta é que o primeiro modelo seja lançado oficialmente até o final deste ano.
A linha SEED terá velocidade máxima de 120 km/h e autonomia de 100 km, o que é pouco mesmo para a tecnologia atual das baterias e para veículos de uso tipicamente urbano.
Veículos elétricos nacionais
O Brasil já fabricou dois modelos de carros elétricos totalmente nacionais, em 1974 e em 1981, feitos pela extinta Gurgel.
Há cerca de dois anos, o empresário Eike Batista anunciou a criação da FBX, uma fábrica nacional de carros elétricos, com planos de iniciar suas operações em 2014.
mprego Ligado foi uma das cinco startups selecionadas na competição FbStart, promovida anualmente pelo Facebook
O Facebook anunciou nessa terça-feira (31) as cinco startups premiadas em seu programa FbStart, entre elas está a brasileira Emprego Ligado, eleita na categoria Melhor App da América Latina.
A ferramenta visa conectar pessoas a vagas de empregos em diversas áreas que sejam próximas as suas residências. Usuários escolhem a vaga desejada e agendam na própria plataforma a entrevista. Segundo a startup , o aplicativo tem facilitado o alcance de entrevistas de emprego para os brasileiros, com 18% dos usuários tendo recebido uma proposta de trabalho um dia após se inscreverem no serviço.
Realizado há três anos, o programa do Facebook visa ajudar startups de aplicativos móveis no mundo todo a impulsionarem e melhorarem seus serviços ao oferecer ferramentas, serviços, benefícios em parcerias e orientação. Anualmente é realizada a competição FbStart Apps que reconhece os melhores apps dentro do programa.
Os aplicativos foram julgados a partir de quatro princípios: crescimento e engajamento, experiência e design, eficiência em escala e alavancagem da plataforma do Facebook. As categorias premiadas incluem os melhores apps por região, melhor app de bem social e vencedor do grande prêmio.
O grande vencedor deste ano foi o VoiceTube, de Taiwan. O app viabiliza o aprendizado de inglês por meio de vídeos. Até então, a plataforma oferece mais de 30 mil vídeos com ferramentas como legendas bilíngue, dicionário online, repetição de frases e gravação. Como prêmio, a startup recebeu US$ 50 mil em dinheiro e mais US$ 50 mil em créditos para o Facebook Ad.
Os outros ganhadores recebem cada um US$ 5.000 em dinheiro e US$ 7.500 em créditos para o Facebook Ad.
As outras startups selecionadas foram a Musixmatch (App do Ano na Europa, Oriente Médio e África), RadPad (App do Ano na América do Norte) e MedShr (App de Bem Social).
Título Original: Kimssi Pyoryugi Direção: Hae-Jun Lee Gênero: Drama/Romance/Comédia Ano de lançamento: 2009
Sinopse: Um homem chamado Kim, pula nas calmas e escuras águas do rio Han. Ele acorda em uma ilha sem nome, que corta movimentada Seul. Dia após dia sua vida solitária, porém extraordinária na ilha, desperta a curiosidade de uma menina encorajando-a sair desta vida de isolamento num quarto...
Hoje vou passar para vocês algumas coisas que se aprende com uma mãe.
01 Minha Mãe Ensinou A Valorizar O Sorriso… ‘Me Responde De Novo E Eu Te Arrebento Os Dentes!’
02 Minha Mãe Me Ensinou A Retidão. ‘Eu Te Ajeito Nem Que Seja Na Pancada!’
03 Minha Mãe Me Ensinou A Dar Valor Ao Trabalho Dos Outros.. ‘Se Você E Seu Irmão Querem Se Matar, Vão Pra Fora. Acabei De Limpar A Casa!’
04 Minha Mãe Me Ensinou Lógica E Hierarquia..-. ‘Porque Eu Digo Que É Assim! Ponto Final! Quem É Que Manda Aqui?’
05 Minha Mãe Me Ensinou O Que É Motivação… ‘Continua Chorando Que Eu Vou Te Dar Uma Razão Verdadeira Para Vc Chorar!’
06 Minha Mãe Me Ensinou A Contradição… ‘ Fecha A Boca E Come!’
07 Minha Mãe Me Ensinou Sobre Antecipação… ‘Espera Só Até Seu Pai Chegar Em Casa!’
08 Minha Mãe Me Ensinou Sobre Paciência… ‘Calma!… Quando Chegarmos Em Casa Você Vai Ver Só…’
09 Minha Mãe Me Ensinou A Enfrentar Os Desafios… ‘Olhe Para Mim! Me Responda Quando Eu Te Fizer Uma Pergunta!’
10 Minha Mãe Me Ensinou Sobre Raciocínio Lógico… ‘Se Você Cair Dessa Árvore Vai Quebrar O Pescoço E Eu Vou Te Dar Uma Surra!’
10 Minha Mãe Me Ensinou Medicina… ‘Pára De Ficar Vesgo Menino! Pode Bater Um Vento
E Você Vai Ficar Assim Para Sempre.’
11 Minha Mãe Me Ensinou Sobre O Reino Animal… ‘Se Você Não Comer Essas Verduras, Os Bichos Da Sua Barriga
Vão Comer Você!’
12 Minha Mãe Me Ensinou Sobre Sexo… ‘…E Como Você Acha Que Você Nasceu?’
13 Minha Mãe Me Ensinou Sobre Genética… ‘Você É Igualzinho Ao Seu Pai!’
14 Minha Mãe Me Ensinou Sobre Minhas Raízes… ‘Tá Pensando Que Nasceu De Família Rica É?’
15 Minha Mãe Me Ensinou Sobre A Sabedoria De Idade… ‘Quando Você Tiver A Minha Idade, Você Vai Entender.’
16 Minha Mãe Me Ensinou Sobre Justiça… ‘Um Dia Você Terá Seus Filhos, E Eu Espero Eles Façam Pra Você O Mesmo Que Você Faz Pra Mim! Aí Você Vai Ver O Que É Bom!’
17 Minha Mãe Me Ensinou Religião… ‘Melhor Rezar Para Essa Mancha Sair Do Tapete!’
18 Minha Mãe Me Ensinou O Beijo De Esquimó… ‘Se Rabiscar De Novo, Eu Esfrego Seu Nariz Na Parede!’
19 Minha Mãe Me Ensinou Contorcionismo.-.. ‘Olha Só Essa Orelha! Que Nojo!’
20 Minha Mãe Me Ensinou Determinação..-. ‘Vai Ficar Aí Sentado Até Comer Toda Comida!’
21 Minha Mãe Me Ensinou Habilidades Como Ventrílogo… ‘Não Resmungue! Cala Essa Boca E Me Diga Por Que É Que Você Fez Isso?’
22 Minha Mãe Me Ensinou A Ser Objetivo… ‘Eu Te Ajeito Numa Pancada Só!’
23 Minha Mãe Me Ensinou A Escutar …. ‘Se Você Não Abaixar O Volume, Eu Vou Aí E Quebro Esse Rádio!’
24 Minha Mãe Me Ensinou A Ter Gosto Pelos Estudos.. .’Se Eu For Aí E Você Não Tiver Terminado Essa Lição, Você Já Sabe!…’
25 Minha Mãe Me Ajudou Na Coordenação Motora…. ‘Ajunta Agora Esses Brinquedos!! Pega Um Por Um!!’
26 Minha Mãe Me Ensinou Os Números… Vou Contar Até Dez. Se Esse Vaso Não Aparecer Você Leva Uma Surra!’
27 Minha Mãe Me Ensinou Partes Novas Do Corpo Humano… Para Com Isso Antes Que Te De Um Pescoção!!!
28 Minha Mãe Me Ensinou A Me Espelhar Em Alguém… O Filho Do Fulano Tirou 10 Na Prova.
29 Minha Mãe Me Ensinou A Não Me Espelhar Em Alguém… Não Tenho Nada Que Ver Com O Filho Do Fulano!!!
30 Minha Mãe Me Ensinou A Sempre Ouvir Uma Segunda Opinião. Peça Para O Seu Pai.
sexta-feira, abril 22, 2016 Wilson Roberto Vieira Ferreira
“Grau Zero da Política” e “Micropolítica”. Esses dois conceitos, respectivamente dos pensadores Jean Baudrillard e Gilles Deleuze, podem nos ajudar a compreender o significado simbólico do atual processo de impeachment contra a presidenta Dilma. Os catorze anos de sucessões de governos petistas teriam criado uma crise simbólica no sistema político: a reversibilidade entre Esquerda e Direita no momento em que governos supostamente de esquerda implementaram políticas neodesenvolvimentistas que ajudaram a criar condições ótimas de reprodução do capitalismo - inclusão no consumo e precarização do trabalho. A Esquerda estaria tomado para si a agenda conservadora? Então, por que derrubar Dilma? Baudrillard diria que esse é a revelação do “grau zero” por trás dos simulacros da política; e Deleuze diria: “nunca houve governo de esquerda”.
Uma das minhas primeiras experiências como repórter. No distante ano de 1983, cumprindo uma pauta para o Jornal Laboratório da Faculdade de Jornalismo de Santos , fui cobrir uma sessão plenária da Câmara dos Vereadores da cidade. Não sei se dei sorte ou se as sessões eram sempre assim movimentadas: testemunhei vereadores do PMDB contra os do antigo PDS em discussões ferozes. Alguns deles quase indo às vias da agressão física, sendo segurados pelos demais. Atmosfera pesada e um final sem qualquer consenso.
No meu bloco de notas fiz um resumo da plenária, alguns depoimentos de vereadores e saí do Paço Municipal da Praça Mauá, Centro de Santos. Atravessei a av. General Câmara em direção a um ponto de ônibus e passei em frente a uma padoca badalada na época. E com quem deparei? Com alguns dos vereadores de situação e oposição que há pouco mais de meia hora estavam quase se matando na plenária, agora todos juntos dando risadas conversando sobre temas com certeza bem mais amenos. Conversavam animados enquanto degustavam suas xícaras de café, em pé no balcão, em um aprazível final de tarde.
Essa lembrança sempre foi recorrente na cabeça desse humilde blogueiro: tudo foi uma simulação? Qual a natureza daquilo tudo que presenciei?
Mais tarde na pós-graduação me deparei com um livro do filósofo francês Jean Baudrillard chamado Partidos Comunistas: o Paraíso Artificial da Política. Em síntese, nesse livro Baudrillard desenvolve seu ceticismo radical em relação à política em três teses principais: (1) os comunistas não mudarão nada se chegarem ao poder; (2) os comunistas não querem chegar ao poder; (3) a tese mais niilista: não há perigo em ganhar o poder porque o poder, de fato, não existe.
Baudrillard referia-se a um suposto “grau zero da política”: e se todo o sistema político tornou-se autônomo e fechado em si mesmo em relação à sociedade e a economia? Um sistema cujos signos tornaram-se intransitivos, onde sua distinções (Direita/Esquerda, Oposição/Situação) não são dadas como representação de algo externo, referencial, ao sistema (ideologias, História, Classes sociais etc.), mas como simples distinções binárias em um sistema fechado em si mesmo.
O grau zero: signos comutáveis
Direita e Esquerda seriam signos comutáveis, definidos não positivamente pelo seu conteúdo, mas negativamente por suas relações distintivas no sistema - o grau zero da política.
Todas essas lembranças vem à tona na atual crise política brasileira com o impeachment da presidenta Dilma e a condenação, inclusive da imprensa internacional, de um golpe político em andamento no País.
O fantasma baudrillardiano do grau zero ressurge mais uma vez para assombrar a política a partir de três premissas:
(a) Se em 2003 alguém viesse do futuro e dissesse que, depois de mais de uma década de sucessivos governos de esquerda, o Congresso seria dominado por homofóbicos, neofascistas, evangélicos e pequenos escroques de um baixo clero que anunciariam, com todo os pulmões ao vivo pela TV, seus votos pelo impedimento de uma presidenta, certamente acharíamos que isso era um roteiro de algum filme de humor politicamente incorreto;
(b) A forma como após sucessivos governos de esquerda um presidente foi derrubado do poder praticamente sem reação: enquanto a grande mídia detonava suas bombas semióticas diariamente para criar um clima de opinião de crise econômica e política, os governos petistas não só eram reticentes em relação a Lei dos Meios e o monopólio midiático – também alimentavam a grande mídia com grossas verbas publicitárias com sua orientação “técnica” e “republicana”.
(c) Os sucessivos governos de esquerda não implementaram nenhuma política “socialista”: nada mais fizeram do que ingressar o País em um regime capitalista com a regularização da reprodução da mão de obra com sua inclusão no mercado de consumo a partir de políticas neodesenvolvimentistas. Enquanto isso, o sistema financeiro aferia lucros recordes com os altos juros. E mais: o outro lado da inclusão no consumo foi a precarização do trabalho – o estágio avançado da exploração no capitalismo com a abolição dos direitos trabalhistas – leia ALVEZ, Giovanni.“Neodesenvolvimentismo e precarização no trabalho no Brasil” in Blog Boitempo.
As principais críticas ao governo Dilma vinham da própria esquerda, acusando-a de dar as costas aos movimentos sociais enquanto aplicava uma agenda de medidas econômicas “conservadoras”.
Por que derrubar Dilma?
Se governos supostamente de esquerda deixaram a banca financeira satisfeita e ajudaram a modernizar as formas de exploração capitalista, por que a urgência da derrubada da atual presidenta?
Dando ainda mais força etérea ao fantasma de Baudrillard poderíamos afirmar: Dilma não foi derrubada por colocar em perigo a ótima reprodução do capitalismo mas, ao contrário, por paradoxalmente ajudar a implementar uma agenda neoliberal roubando essa pauta da “Direita”.
Levando às últimas consequências a tese do grau zero da política, os governos do PT colocaram o sistema da política em uma crise simbólica ao criarem uma perigosa reversibilidade: a partir do momento em que lentamente expropriaram a agenda conservadora da Direita, colocaram em risco o código binário Esquerda/Direita que sustenta a reprodução do sistema linguístico da Política.
Para o ceticismo de Baudrillard, o sistema político não produz política, mas reproduz a Política. Através de estratégias de simulação procura esconder a intransitividade do signo político – de que as posições do espectro político nada mais são do que signos distintivos de um sistema que se autonomizou e fechou-se em si mesmo enquanto o sistema econômico se autogere.
Para a economia a única função do sistema político é tornar verossímil para a opinião pública as decisões dos agentes financeiros ou industriais por meio de uma narrativa política crível, porque construída pela binariedade do código.
Pois é justamente essa narrativa simbólica que o PT colocou em perigo.
Todo o sistema político necessita simular diferenças através de dois discursos: o escândalo da corrupção e a ameaça do terror através de um inimigo interno ou externo. “Mensalão”, “petrolão” e “bolivarianismo” foram as variações de uma narrativa que é sempre posta em ação quando o sistema político é ameaçado pela entropia: o perigo dos eleitores descobrirem que, na verdade, todos os signos são reversíveis e equivalentes.
A ameaça do non sense
Quando os governos petistas ameaçaram permanecer no poder continuando a implementar medidas ótimas de reprodução do capitalismo, a grande mídia disparou o alarme para esse ameaçador non sense que poderia implodir a narrativa política.
Essa implosão da narrativa política seria através da descoberta por parte dos eleitores desse niilismo político, a verdadeira ameaça a todos os sistemas: o vislumbre de que por trás da simulação das diferenças nada existe, a não ser o simulacro da Política.
Sem um discurso que torne verossímil a gestão econômica, a sociedade poderia ser dominada pela anarquia e desobediência civil. Por exemplo: quebra do sistema financeiro através do saque dos ativos feito pelos próprios correntistas ao descobrirem a inexistência do dinheiro através do crédito – sobre as formas irônicas de destruição do capitalismo clique aqui.
Deleuze: nunca houve governo de esquerda
Podemos então afirmar que nunca existiu governo de esquerda? Quem pode dar essa resposta é outro filósofo francês, Gilles Deleuze. Como podemos acompanhar no vídeo abaixo de uma entrevista com Deleuze , para ele a esquerda ou direita são muito mais formas de percepção do que discursos políticos. Para ele nunca houve governos de esquerda mas governos que aplicaram algumas exigências da esquerda.
O que Deleuze chama de “esquerda” nada tem a ver com governos ou com a política. É uma forma de percepção (“Micropolítica”) de onde se parte do contorno, do horizonte ou do mundo para compreender fenômenos particulares – ao contrário do “endereço postal” da direita que parte do individualismo para avaliar o todo – a sociedade, o país, o continente.
Para Deleuze, todas as críticas da esquerda em relação as injustiças sociais não partiriam de um julgamento moral ou político, mas em nome da própria percepção. Isso seria “ser de esquerda: “começar pela ponta e considerar que esses problemas devem ser resolvidos por agenciamentos mundiais”.
Além disso ser de esquerda é um “devir de minoria”, nada a ver com o “padrão vazio” da construção da maioria em um sistema político democrático. Uma sociedade com diversos “devires”, fenômenos de percepção cujos olhares buscam o horizonte e o todo.
Muito diferente do sistema político que se autonomizou e fechou em si mesmo em um sistema distintivo de signos vazios e intransitivos. Por isso, a “percepção de esquerda” jamais teve lugar no sistema político e muito menos em um governo.
E como acompanhamos no caso atual do impeachment, a mídia cumpriu bem o seu papel de alarme do sistema político: irradiou a narrativa do escândalo da corrupção e do perigo do inimigo interno (o PT “bolivariano”) para proteger o código binário do sistema que o mantém fechado e sem horizontes.
Em outras palavras: Dilma cai não pelos seus defeitos, mas por suas “virtudes”: estava fazendo a coisa certa. Porém, com os sinais trocados.
As memórias daquela tarde de 1983 continuam assombrando esse humilde blogueiro.
Com o impeachment da presidenta Dilma aproxima-se o desfecho de uma campanha iniciada há dez anos com as denúncias do mensalão. Mas em 2013 teve uma virada que acelerou o processo: a nova estratégia semiótica de engenharia de opinião pública com a implementação no Brasil da “guerra virtual” e da “social engineering”. Naquele ano, a grande mídia brasileira levou algum tempo para fazer a ficha cair, acostumada que estava com velhas estratégias hipodérmicas dos tempos do IPES-IBAD nos anos 1960 - surgia no País a "primavera brasileira" com manifestações tomando as ruas. A multipolarização criada pelos BRICS forçou os EUA a implementar estratégias resultantes de uma longa tradição acadêmica de pesquisas sobre engenharia social naquele país: a Mass Communication Research de Lazarsfeld, Agenda Setting de McCombs e Shaw e as pesquisas em “ações não violentas” do cientista político Gene Sharp. Logo a grande mídia brasileira entrou em sintonia com a geopolítica dos EUA ao criar as “bombas semióticas” a partir da matéria-prima das manifestações que começaram por “apenas” 20 centavos.
O ônibus da Linha 1 do Festival Tomorrowland saiu lotado do Sambódromo de São Paulo levando jovens adeptos da música eletrônica para o evento na cidade de Itu. No meio de caminho, começou uma discussão entre os animados passageiros sobre o impeachment da presidenta Dilma e a legitimidade do vice Michel Temer: “Se pelo menos ele fizer alguma coisa para tirar o País do buraco, já vai estar valendo!”, disse alguém mais exaltado.
Esse é o clima de opinião resultante do bombardeio sistemático e diário de bombas semióticas pela grande mídia nos últimos três anos, desde a “primavera brasileira” de 2013 – a série de manifestações de rua que tão inesperadamente como surgiram, também desapareceram.
Uma estranha percepção de “buraco” em que o País estaria metido expressada por aquele jovem, apesar de todos naquele ônibus estarem rumando para um evento da cena eletrônica mundial onde uma latinha de Skol Beat ou uma garrafinha de água custavam dez reais, unindo tanto jovens da elite sócio-econômica como remediados egressos da chamada Classe C e os chamados “cibermanos” – jovens de regiões urbanas periféricas fãs da música eletrônica.
Em plena explosão das manifestações nas ruas em 2013 e a extensiva cobertura midiática, esse blog Cinegnose iniciou a série de análises do que chamamos de “bombas semióticas”, procurando mapeá-las e, através de uma engenharia reversa, entender o mecanismo de funcionamento e as ondas de choque na opinião pública em cada detonação – sobre a série clique aqui.
Naquela oportunidade percebemos um elemento novo entrando em cena: uma nova estratégia semiótica, bem diferente das anteriores fundamentadas em longas “suítes” jornalísticas como “caos aéreo”, “mensalão”, “gripe suína”, “o escândalo do dossiê”, o “escândalo dos aloprados” etc. Estratégia hipodérmica de simples repetição onde articulistas, âncoras de telejornais, editorialistas e colunistas martelavam a pauta tentando formar a opinião pública.
Das estratégias hipodérmicas dos anos 1960 às bombas semiótica do século XXI
Bombas semióticas versus estratégia hipodérmica
Essa estratégia era ainda tributária das velhas táticas comportamentais (repetir até convencer) do antigo IPES-IBAD (Instituto de Pesquisas e Estudos Sociais e Instituto para Ação Democrática) onde de 1962 a 1964 desestabilizou o governo João Goulart através de massiva propaganda no cinema, TV e mídia impressa além da ação direta por meio de rede suprapartidária que barrava qualquer projeto do governo no Congresso. Mobilizou a opinião pública para torna-la receptiva ao Golpe Militar que viria mais tarde.
Se a estratégia semiótica hipodérmica funcionou nos anos 1960 (épocas mais “duras” dentro da polarização da Guerra Fria), agora no século XXI já apresentava sinais de que o prazo de validade tinha terminado – principalmente num contexto de multipolarização com o surgimento dos BRICS e globalização econômica.
De nada adiantava a repetição diária de sucessivos escândalos e crises nos governos petistas nas primeiras páginas dos jornais diários e escaladas de telejornais: Lula não só foi reeleito como fez seu sucessor que ainda seria reeleito, para desespero dos “aquários” das redações da grande imprensa.
A “primavera brasileira” de 2013 iniciou uma nova estratégia semiótica tão diferente e sofisticada que muitos formadores de opinião da grande imprensa levaram algum tempo para fazer a ficha cair – por exemplo, Arnaldo Jabor vociferava na TV Globo que as manifestações nas ruas eram “uma grande ignorância política misturado com rancor sem rumo”.
Foi o início de uma nova estratégia semiótica sofisticada demais para ter sido planejada pela grande mídia brasileira: a engenharia de opinião pública ou, como alguns analistas definem, a chamada “Guerra Híbrida” – Hybrid Warfare.
Embora diferentes “primaveras” estivessem pipocando pelo planeta (árabe, egípcia, ucraniana etc.), a vetusta mídia brasileira ainda acreditava que tudo era por causa dos 20 centavos de aumento nas tarifas de ônibus. Houve um gap de alguns dias, mas logo a grande mídia nacional entrou em consonância com a nova tática planejada bem longe daqui e que não é assim tão nova.
Paul Lazarsfeld, Donald Shaw, Max McCombs, Gene Sharp
Ligações Perigosas
Aqui começam evidências de ligações perigosas entre as origens das diversas “primaveras” nacionais pelo mundo e o know how norte-americano iniciado a partir das pesquisas acadêmicas como a Mass Communication Research de Paul Lazarsfeld nos anos 1940 na Universidade de Stanford e as pesquisas em Agenda Setting de Donald Shaw e Max McCombs (Universidades de Virgínia e Texas) até chegar à aplicação política direta:
(a) A Social Engineering: coordenação de front groups (ONGs), spin doctors (técnicos de comunicação a serviço de partidos e lobbies) e paid experts (profissionais de diversas áreas que se tornam informações de pauta privilegiados para a grande imprensa) – articulados e sempre disponíveis para fornecedor de informações de primeira mão para a mídia - veja abaixo o fluxograma de uma ação de engenharia de opinião pública;
Fonte: HOWARD, Martin. "We Know What You Want". Disinformation Books, 2005
(b) Ação Direta: táticas de promoção de “ação não violenta” (mobilização através de blogs, redes sociais, música, arte, táticas de não-colaboração, ocupações etc.) em conflitos ao redor do mundo a partir de pesquisas do cientista político Gene Sharp (Universidade do Estado de Ohio e Instituto Albert Einstein) financiadas pela Fundação Ford. Cursos baseados em suas técnicas ocorrem atualmente eu Universidades como Yale e na Embaixada dos EUA. O próprio juiz Sérgio Moro, que conduz a Operação Lava Jato, participou em 2007 de um curso no Departamento de Estado nos EUA de formação de Novas Lideranças;
(c) Black blocs (estranhos personagens que tão inesperadamente como apareceram também sumiram): na “primavera brasileira” foram financiados por ONGs ligadas a causas ambientais (sobre isso clique aqui) que costumavam depredar lugares escolhidos a dedo como, por exemplo, no episódio de uma concessionária da Caltabiano de veículos de luxo em São Paulo: revenda controlada pelo grupo americano McLarty cujo chefe, Thomas McLarty, foi Chefe da Casa Civil do Presidente Clinton. Ou então depredavam os clássicos estabelecimentos de grandes marcas (MacDonald’s, bancos etc.) para renderem fotos e vídeos impactantes para a grande mídia brasileira. Quer dizer, depois que a ficha já tinha caído nos “aquários” das redações e perceberam a intencionalidade por trás de todas essas ações “espontâneas”.
A única semelhança com a estratégia de intervenção semiótica do IPES-IBAD nos anos 1960 foi o apoio logístico norte-americano (know how + apoio financeiro). Agora nesse século a criação de revoluções (ou “primaveras”) graças às táticas de social engeneering não opera mais com o estardalhaço da massificação, mas agora com viralização através de bombas cirúrgicas e pontuais: as bombas semióticas.