segunda-feira, 8 de setembro de 2014

Compro um carro à vista? Ou dando boa entrada e poucas parcelas?

O carro consiste em um bem de consumo e, por isso, sofrerá depreciação com o passar do tempo. Na hora da aquisição, deve-se levar em conta não somente o seu preço como os custos indiretos que carrega consigo.

Dentre esses custos, estão IPVA anual, seguro –que em geral fica próximo a 7% do valor do carro– e gastos com manutenção, combustível, depreciação e estacionamento, que somados podem ultrapassar 50% do valor do carro.

Em uma estimativa, um carro de R$ 40 mil como o pretendido, que anda 20 quilômetros por dia e é deixado em um estacionamento com mensalidade, incorreria em despesa anual média de R$ 21,2 mil. Só em termos de depreciação, a perda aproximada seria de R$ 6.000, equivalente a 15% do total.

Dessa forma, quando se compra o carro e opta-se pelo pagamento a prazo, o custo mensal a ser considerado não é somente das parcelas, mas também das despesas indiretas, que podem acabar gerando um impacto bem superior ao esperado no orçamento.

Por isso, a possibilidade de investimento para posterior aquisição do bem à vista mostra-se mais vantajosa, pois não se incorre em juros e pode-se negociar desconto expressivo, principalmente num momento como o atual, com vendas caindo e estoques aumentando nas concessionárias.

Você menciona a possibilidade de comprar um imóvel, alugá-lo e, com esse valor, pagar prestações de um carro. Em termos de investimento, os imóveis não têm apresentado resultados muito interessantes, ficando abaixo de outras modalidades do mercado.

Além disso, também não são boa opção para adquirir automóvel, pois, até a dívida ser quitada, o retorno com aluguel mal superará o tamanho das parcelas, não restando muitos recursos para comprar outros bens.

Para efeito ilustrativo, no entanto, e já tendo em mente as desvantagens da compra do imóvel como investimento, pode-se comparar o retorno que essa aplicação ofereceria com outras ferramentas de baixo risco e boa liquidez.

Em termos práticos, a taxa de aluguel em São Paulo tem ficado entre 0,3% e 0,5% do valor do imóvel ao mês, gerando retorno anual bem inferior aos 9% líquidos pagos por um CDB, por exemplo.

Aplicações de risco reduzido como o CDB e o Tesouro Direto podem ser uma escolha mais interessante, minimizando perdas, ampliando retornos e permitindo a compra do carro em condições mais favoráveis.

 
 Samy Dana
Possui graduação em Economia, mestrado em Economia, doutorado em Administração pela EAESP e Ph.D in Bussiness Administration pelo IE Business School . Atualmente é professor de Escola de Economia de São Paulo em tempo integral,  Coordenador de International Affairs do projeto GV JAZZ (EAESP, EDESP e EESP). Possui experiência na área de Administração e Finanças, com ênfase em Derivativos e Risco, Consultor

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