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segunda-feira, 2 de dezembro de 2013

A corrupção e o moralismo na política

Por Motta Araujo
O MORALISMO NA POLÍTICA - A corrupção faz parte da política desde tempos imemoriais. Nos Estados anteriores à Era Moderna não havia separação entre o dinheiro do Estado e o cofre do Soberano.

 Foi a partir da Revolução Francesa, com a construção do Direito Administrativo, que nasce na França o conceito de recursos públicos à serviço da população e não de quem governa. 

Na mesma França onde o Cardeal de Richelieu declarou ao seu confessor no leito de morte que era o homem mais rico do País, depois de governá-lo como Primeiro Ministro, "sou mais rico que o Rei" disse o Cardeal.

Foi com a lenta evolução do direito, dos costumes políticos e da consciência social que a confusão entre o público e o privado e a consequente corrupção foi sendo controlada mesmo nos países mais civilizados. 
Nos EUA após a Guerra Civil e até o começo do Século XX a corrupção política era avassaladora. 
No Brasil do Império os Embaixadores em Londres pediam comissão sobre os empréstimos contratados pelo Tesouro aos banqueiros.
Enquanto a corrupção vai sendo lentamente controlada com altos e baixos, no Brasil havia menos corrupção nos dois Governos Vargas do que há hoje, e olhe que Vargas não era um fanático combatente contra a corrupção, embora fosse pessoalmente honesto e obviamente a corrupção no Brasil vem crescendo ano a ano desde a Nova República.
Mas sendo a luta contra a corrupção uma exigência da sociedade, o Moralismo como bandeira política não faz parte dessa luta, apenas usa seus elementos como bandeira e ao fim tem objetivos bem menos nobres.
Dois nomes símbolos do Moralismo como bandeira, Jânio Quadros e Carlos Lacerda, não melhoraram o Brasil numa avaliação historica ampla. Os arautos do Moralismo são espertos que usam essa bandeira para construir seus próprios objetivos raramente nobres e costumam gerar custos pol[iticos muito mais caros do que os resultados que atingem com seus métodos e campanhas, porque corrupção não se combate com saltos e sim com evolução.
Um pequeno modelo de como o combate à orrupção mesmo bem intencionado pode fazer o seu contrário: o Tribunal de Contas da União, ao apontar irregularidades em uma obra costuma mandar parar a obra. É uma insensatez única, abismal. A parada da obra custa MUITO MAIS, pode ser centenas de vezes mais do que o custo da irregularidade, não fazem cálculo de custo/benefício, é impressionante. 
Na obra do Corinthians em Itaquera a mesma coisa, caiu um guindaste, mandaram parar os outros nove, sem se importar que a obra tem um prazo apertado para conclusão. 
No mensalão o processo custou muito mais, se consideramos todos os fatores, do que a eventual perda de dinheiro publico. O Moralismo agride a lógica e não traz nenhum resultado.