sábado, 9 de novembro de 2013

Relatório sugere China como eldorado da ciência



Uma pesquisa do centro de estudos britânico Nesta revelou, por meio de relatório publicado esta semana, que a ciência desenvolvida na China já é “grande demais para ser ignorada”. Segundo a levantamento, o país gasta cerca de US$ 500 milhões em pesquisas por dia e emprega um quarto da força de trabalho do setor no mundo.

O ministro das Finanças britânico, George Osborne, chegou a afirmar que seus conterrâneos tendiam a ver a China como uma grande fábrica com condições de semiescravidão, mas ressaltou que o gigante asiático “está na vanguarda da medicina e da alta tecnologia”. As declarações do ministro acontecem em função de visita oficial ao país, com o objetivo de atrair negócios e recursos chineses para a economia da Grã-Bretanha, que por sua vez anda mal das pernas.

Além dos investimentos, a China tem o supercomputador mais rápido do mundo, o Tianhe-2. Seus chips são feitos pela Intel, mas foram desenvolvidos por pesquisa chinesa. Outra inovação dos cientistas chineses é o material mais leve já conhecido, uma espécie de gel aerossol composto por carbono e grafeno. Em apenas 14 anos, a China deixou de ter apenas 1% da capacidade de sequenciamento genético do mundo para ter quase metade.

Investimentos

No ano passado, foram investidos US$ 163 bilhões no setor de ciência e pesquisa. O aumento corresponde 18% em relação ao ano anterior. O país asiático também se destaca no número de patentes solicitadas e garantidas, na educação superior e em publicações científicas. Calcula-se que, em 2020, a China possa produzir mais formandos do que os EUA e a União Europeia juntos e ultrapassar os norte-americana em número de artigos científicos.

Por outro lado, o estudo também observa que há uma estimativa de que apenas 10% dos chineses formados em engenharia atendem aos padrões internacionais de empregabilidade. O relatório não chega a uma conclusão se o país seria, de fato, um líder mundial em ciência ou ainda uma exploradora de mão de obra barata de pesquisadores.

Lado obscuro

O estudo reconhece que a China também tem sido chamada de um “seguidor rápido” por dua capacidade de deglutir avanços dos outros, de se aproximar rapidamente, mas sem jamais assumir a liderança. Por outro lado, mostra-se capaz de assimilar tecnologias estrangeiras e agregar valor de pesquisa a elas. Uma abordagem explorada no estudo é que a China enxerga os desafios extremos das mudanças climáticas, da poluição e da escassez de recursos, e seus investimentos em pesquisa são concebidos para produzir soluções de longo prazo, com benefícios globais.

Ainda que, no geral, tenha dados positivos, o relatório também reconhece que há temores de empresas de tecnologia de roubo de sua propriedade intelectual. Um líder desse segmento afirmou à Nesta que “ainda não se sente pronto para desenvolver as 'joias da coroa' (os produtos mais importantes) da empresa na China” – ao mesmo tempo em que apoia um compromisso de longo prazo com o país asiático. Em termos globais, o relatório conclui que “o maior risco para as empresas é de se concentrar muito sobre pontos negativos – e perder as enormes oportunidades que a China representa”, encerrando com um pedido de colaboração mais próxima de empresas e governos.

Com informações da BBC.