sexta-feira, 20 de setembro de 2013

Distopia de Elysium transforma o planeta inteiro num Distrito 9


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A estreia deste filme vinha sendo bastante aguardada por dois motivos: pelos cinéfilos em geral por se tratar do segundo longa de Neill Blomkamp, jovem sul-africano que conquistou fama mundial e até mesmo algumas indicações ao Oscar com seu filme anterior, “Distrito 9″ (2009); já o público brasileiro tinha a curiosidade extra de conferir a primeira incursão de Wagner Moura (“Tropa de Elite”) em produções hollywoodianas. “Elysium” deve agradar nos dois sentidos.

A trama se passa no futuro, mais especificamente em 2154. Enquanto a Terra encontra-se totalmente devastada e a humanidade vive em condições deploráveis, os ricos e poderosos ocupam uma estação espacial chamada Elysium. Lá, todos moram em mansões equipadas com a mais alta tecnologia, a ponto de cada residência possuir um aparelho capaz de curar qualquer doença ou ferimento.

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Muitos tentam entrar em Elysium de forma clandestina, mas acabam invariavelmente capturados e deportados – qualquer semelhança com mexicanos tentando cruzar a fronteira americana certamente não é mera coincidência. Até que os mundos opostos entram em colisão, quando Max (Matt Damon, de “Contágio”), um homem com os dias contados, se engaja numa missão suicida que pode alterar esse status quo definitivamente.

O elenco é bem azeitado, tendo à frente um Matt Damon convincente tanto na parte física como dramática. Jodie Foster (“Deus da Carnificina”) obviamente está bem como a ambiciosa e insensível secretária de segurança, mas o vilão mais interessante do filme é o truculento Kruger do sul-africano Sharlto Copley (o ator foi protagonista de “Distrito 9″).

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Os brasileiros Alice Braga e Wagner Moura têm bons papéis e ótimo desempenho na trama, com destaque especial para Wagner – o que é surpreendente, por ser o seu primeiro trabalho em uma produção internacional. Aliás, é uma injustiça que o nome do mexicano Diego Luna (“Milk”), que tem um personagem menor, apareça antes nos créditos.

Comparações entre este filme e “Distrito 9″ são inevitáveis, considerando a inesperada projeção que Blomkamp obteve com seu longa de estreia. É evidente que, quando um diretor passa a trabalhar para um grande estúdio, em um projeto envolvendo milhões, isso acarreta alguma perda na liberdade criativa – em alguns casos, tal mudança pode ser fatal. Não foi o que aconteceu aqui.

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Embora seja inegável que “Distrito 9″ é um filme mais redondo de um modo geral, Blomkamp traz muito de seu estilo para este projeto e realiza um filme dotado de bastante personalidade. Na verdade, é curioso perceber que o distrito favelado, destinado aos alienígenas do filme anterior, agora se assemelha ao planeta inteiro.
Há, porém, alguns exageros e incoerências. Um exemplo disso é quando Max se encontra com Spider (personagem de Wagner Moura) e o ameaça, dizendo estar cheio de radiação, mas logo a seguir “se esquece” disso e interage normalmente com as outras pessoas.

O roteiro também deixa um pouco no ar os métodos de Spider para burlar a eficientíssima segurança de Elysium. Contudo, relevados alguns tropeços, o resultado é um filme-pipoca que cumpre com louvor sua principal função: divertir – enquanto cutuca de leve a onça da questão social.

Trailer

 

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